De estelionato à deepfakes: Em oito anos, crimes cibernéticos crescem 43 vezes no Amazonas

  • 04/08/2026
(Foto: Reprodução)
Casos de deepfakes também foram registrados no Amazonas. Freepik No Amazonas, as denúncias de crimes cibernéticos saltaram de 438 para 18.904, entre 2017 e 2025. Os dados são do Anuário de Segurança Pública do Amazonas divulgados neste ano. Para especialistas, o fácil acesso digital e o crescimento do uso da inteligência artificial têm influenciado os golpes. No Fantástico desta semana, a atriz Paolla Oliveira denunciou a enxurrada de imagens manipuladas diariamente em que usam o seu próprio rosto com corpos de outras pessoas ou montagens na internet. A mobilização incentivou outras mulheres a também denunciarem os abusos que sofrem. No Amazonas, casos de deepfakes também foram registrados. Em 2023, a influenciadora Ruivinha de Marte usou as redes sociais para denunciar falsos nudes usando seu rosto, que estavam sendo divulgados e até vendidos na internet. De acordo com a influenciadora, os criminosos fizeram montagens usando seu rosto no corpo de outra pessoa. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp 🔎 Deepfake é um vídeo, áudio ou imagem criado ou alterado com inteligência artificial para fazer uma pessoa parecer dizer ou fazer algo que nunca aconteceu. Esse tipo de conteúdo pode ser usado para entretenimento, mas também para espalhar informações falsas e aplicar golpes. Guerra ao deepfake: Paolla Oliveira expõe a violência que atinge mulheres e meninas Os casos também acontecem com quem não é famoso, a amazonense Luna Nikolas tinha 25 anos quando sofreu esse tipo de golpe. Hoje, com 30 anos, ela relembra o caso. "Meus amigos que viram primeiro e me mostraram as montagens. Eles ficam difamando a pessoa no site. Eles escreviam muitas coisas horríveis. Eu tentei até derrubar a conta, mas não consegui. Tentaram me extorquir pedindo dinheiro pra tirar do ar, mas eu deixei pra lá", relembrou. Aumento de crimes cibernéticos no Amazonas Os dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas mostram um crescimento contínuo dos crimes cibernéticos no estado ao longo dos últimos anos. Em 2017, foram registradas 435 ocorrências. Esse número passou para 1.369 em 2018 e seguiu em crescente até 2025. Em oito anos, o total de ocorrências aumentou cerca de 43 vezes. Veja o gráfico abaixo: Entre as modalidades analisadas, o estelionato é o crime com maior número de registros e também um dos principais responsáveis pelo crescimento da série histórica. Os casos passaram de apenas 11 em 2017 para 6.925 em 2025. No último ano analisado, houve aumento de 14,7% em relação a 2024, quando foram contabilizados 6.035 registros. As ocorrências de invasão de dispositivo informático também apresentaram crescimento ao longo do período, passando de oito casos em 2017 para 1.952 em 2025. Apesar disso, a alta registrada entre 2024 e 2025 foi de 3,8%, indicando uma estabilidade maior em comparação com os anos anteriores. Já os registros de ameaça por meios eletrônicos tiveram um avanço expressivo em 2025. O número de ocorrências passou de 1.496 para 2.116 em um ano, o que representa um aumento de 41,4%, o maior percentual de crescimento entre as modalidades analisadas no período mais recente. Acesso à inteligência artificial impulsiona casos Para o especialista em direito digital na Amazônia, Aldo Evangelista, a transformação digital da última década fez com que cada vez mais pessoas tivessem acesso a ferramentas como a inteligência artificial, o que impacta também o número de golpes. “Esse crescimento é resultado da combinação de diversos fatores ao mesmo tempo. Há mais crimes, mais vítimas, mais registros de ocorrência e uma maior capacidade das autoridades em identificar e classificar essas infrações como crimes digitais. Não se trata apenas de mais criminosos. Trata-se de uma sociedade cada vez mais digital, de criminosos mais especializados, de maior conscientização das vítimas e de uma melhor capacidade do Estado em registrar e investigar esses delitos digitais”, explica Aldo. Apesar de adultos economicamente ativos concentrarem boa parte dos casos, Aldo Evangelista ressalta que ninguém está imune aos golpes. “Atualmente, qualquer pessoa conectada pode ser vítima, independentemente da idade ou do nível de escolaridade. Os adultos costumam ser mais visados porque movimentam mais dinheiro e utilizam intensamente aplicativos bancários e o PIX. Já os jovens também são alvo frequente de fraudes envolvendo redes sociais, jogos eletrônicos, falsas oportunidades de investimento e invasão de contas digitais”, completa. ENTENDA: O que é deepfake e como ele é usado para distorcer realidade LEIA TAMBÉM: Defensores públicos do AM se transformam em Brad Pitt e Tom Cruise para campanha contra golpes com IA Como denunciar Para denunciar casos de crimes cibernéticos, a vítima pode registrar um boletim de ocorrência online na Delegacia Virtual do Ministério da Justiça ou de forma anônima pelo disque-denúncia 181, que funciona 24 horas por dia. Ao g1, o advogado especialista em direito digital, Fernando Filho, orienta que a primeira medida a ser tomada pela vítima é reunir todas as provas. “Copie o link da publicação, tire prints, grave a tela quando possível e mantenha as conversas salvas. Depois, registre um boletim de ocorrência na Delegacia Virtual. Quem sofreu prejuízo financeiro também deve comunicar imediatamente o banco e guardar todos os protocolos de atendimento. Se a imagem da vítima foi utilizada em golpes ou deepfakes, é fundamental solicitar a remoção do conteúdo às plataformas e, se necessário, buscar auxílio jurídico para adoção das medidas judiciais cabíveis”, orienta.

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/08/04/de-estelionato-a-deepfakes-em-oito-anos-crimes-ciberneticos-crescem-43-vezes-no-amazonas.ghtml


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